Coronavírus – Mais de 20% dos baianos adquiriram novas dívidas na pandemia

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Priscila Natividadepriscila.oliveira@redebahia.com.br22.06.2020, 05:00:00 –

Segundo levantamento feito pelo aplicativo Mobills, mais da metade teve perda parcial ou total da renda por conta da crise.

Após ter o contrato suspenso pela empresa que trabalha, Bianca fez cortes rigorosos no seu orçamento (Foto: Acervo Pessoal)

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade.


Se quatro entre cada dez baianos com contas atrasadas antes da pandemia já era um dado assustador, a taxa de 21,9% de consumidores que adquiriram dívidas nos últimos três meses em decorrência da crise é ainda pior. Segundo levantamento feito pelo aplicativo de finanças pessoais Mobills, a redução da renda familiar levou estes consumidores a contrair novas dívidas. Destes, 41,7% perderam parte dos ganhos e 12,5% ficaram sem renda. Só 2,1% contavam com algum tipo de reserva financeira.

“Antes mesmo deste cenário já éramos um país com mais de 60 milhões de inadimplentes e a crise agravou esse quadro. Também saber que 54,2% dos respondentes tiveram sua renda reduzida ou totalmente perdida nos mostra o alerta sobre cuidados com as finanças para diminuir os prejuízos financeiros neste período”, afirma o fundador da Mobills, Carlos Terceiro.

O cenário nacional não é muito diferente como aponta o levantamento. Mais de 35% dos brasileiros se endividaram entre março e abril. A provável prorrogação dos efeitos da medida provisória que permite reduções de jornada e salário e suspensão de contratos indica que vai ser preciso respirar fundo, cortar mais despesas, tentar abatimentos e continuar a postergar os pagamentos, através de uma boa negociação.

“O momento exige que o orçamento familiar seja discutido com atenção e racionalidade. Além disso, é preciso analisar se sua renda ainda poderá ser afetada com a crise e tentar oferecer serviços que possam gerar uma renda extra”, aconselha.

Impacto
Para não ter que parcelar os cartões de crédito e postergar dívidas, a assistente financeira Bianca Oitaven adotou cortes bem rigorosos na despesa. Após ter o contrato de trabalho suspenso, sua renda reduziu R$ 900.

“Como não sabemos quando a situação irá se normalizar, adotei algumas medidas para redução de despesas. Uma delas, inclusive, é ficar na casa da minha avó, pois juntas conseguimos minimizar alguns gastos. Em contrapartida, estou fazendo prestação de serviço em home office para agregar valor a remuneração que venho recebendo”, afirma.

Mãe de uma menina de 4 anos, Bianca optou, ainda, por cancelar a matrícula escolar da filha.  “Fiz isso para manter minhas despesas em dia e conseguir arcar com compromissos já firmados. A real necessidade dela estar em tempo integral numa escola é por conta do meu trabalho. Foi a única alternativa, visto que me manteria em casa sem previsão de retorno às minhas atividades”.

Para a educadora financeira e coautora do livro A Roda do Dinheiro, Silvana Bittencourt, apesar de ser difícil é preciso que o consumidor seja honesto com o seu orçamento.

“Um fator determinante para readequar o padrão de vida diante dessa situação que estamos vivendo e evitar novas dívidas é não ignorar financeiramente esse momento, sabendo que se faz necessário um real levantamento de todas as entradas e saídas de dinheiro, reduzindo ou até mesmo cortando despesas para equilibrar o novo padrão de vida. Manter a calma para tomar decisões certas também é muito importante”, orienta.

O momento é de revisão. “A dica é partir para a prática, sem demora para não passar por ainda mais dificuldades. Reunir as contas, a família, negociar, cortar, reduzir, comprar só o extremamente necessário”, completa a especialista.

SERASA QUITA DÍVIDAS DE ATÉ R$ 1 MIL POR R$ 100

O Serasa Limpa Nome em parceria com a Ativos está com a campanha em que o consumidor pode quitar dívidas de até R$ 1 mil pagando R$ 100.  A expectativa é atingir mais de 1,5 milhão de endividados, incluindo parcela da população que perdeu o emprego ou está em dificuldade para receber o Auxílio Emergencial.

Quem estiver interessado na renegociação, pode acessar o site do Serasa Limpa Nome (www.serasa.com.br) ou aplicativos para celular, e verificar sua situação de crédito pelo número de CPF.

“O objetivo é ajudar aqueles que sofrendo com desemprego ou redução de renda, o que dificulta conseguir crédito”, afirma o diretor do Serasa Limpa Nome, Lucas Lopes. O consumidor também pode regularizar seus débitos pelo Whatsapp, no número (11) 98870-7025.

DICA DA SEMANA: NOVO PADRÃO DE VIDA

Perda de emprego O momento é delicado, mas, sabendo gerenciar bem o dinheiro sacado do FGTS e da multa rescisória dá para ir tentando ajustar as contas até se recolocar no mercado de trabalho. “Vai ser muito necessário também uma estrutura em que as famílias sentem e façam juntas o orçamento doméstico. Que elas listem, no detalhe, mais do que nunca, todas as despesas”, afirma a educadora financeira, Virgínia Prestes.

Corte de parte da renda Nesse caso, os cortes no orçamento e readequação do padrão de vida são inevitáveis, como orienta a educadora financeira e coautora do livro A Roda do Dinheiro, Silvana Bittencourt. “É fazer o complemento da renda com renda extra. Temos muitos vídeos com ideais variadas na internet sobre renda extra sem sair de casa. É momento de se especializar nisso”.

Autônomos Aqui o conselho é buscar as plataformas digitais para garantir a renda que perdeu na pandemia, como acrescenta ainda Silvana Bittencourt: “atendimento online, aulas, consultoria na sua área através de aplicativos, acompanhar seus clientes, cuide de seus clientes mesmo que seja online, não desapareça. Muita pessoa tem coisas paradas dentro de casa, coisas novas que nunca usaram, aproveitem esse momento que estão em casa para separar tudo que não usam para fazer dinheiro, colocar à venda”.

Contrato de trabalho suspenso O desafio agora é adequar o valor do benefício pago pelo governo as prioridades do orçamento e buscar também alguma complementação da renda. A educadora financeira, Virgínia Prestes, explica como rever o padrão de gastos: “liste e ordene as despesas em obrigatórias e não-obrigatórias, fixas e variáveis. As que não são obrigatórias, eu posso cortar e as que são variáveis, eu posso diminuir. É uma estratégia que facilita enxergar todo seu orçamento para poder fazer os devidos ajustes”, pontua a especialista.

Matéria completa em:

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/mais-de-20-dos-baianos-adquiriram-novas-dividas-na-pandemia/

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