Gastos invisíveis: pequenas economias que fazem a diferença

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LUIZ FELIPE SIMÕES
luiz.correa.lipecah@estadao.com
13/04/2021, 15:02 ( atualizada: 23/04/2021, 11:18 )

O E-Investidor conversou com dois especialistas para saber onde as pessoas gastam sem perceber

Armadinha; ratoeira (Foto: Evanto Elements)
Armadilha para a sua poupança (Foto: Evanto Elements)
  • Em tempos de pandemia, em que diversas famílias tiveram seus orçamentos impactados, fazer pequenos ajustes pode ser essencial para manter as contas no azul e evitar as dívidas
  • Pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com a Offer Wise informou que cerca de 42% dos entrevistados disseram que a pandemia aumentou o seu nível de gastos
  • Taxas bancárias e gastos desnecessários com delivery podem ser evitados para economizar

De grão em grão, a galinha enche o papo, não é mesmo? Esse ditado popular se aplica a várias situações, inclusive nas finanças pessoais. Muitas vezes deixamos de fazer pequenas economias que, lá na frente, fariam uma baita diferença.

Como assim? Vamos supor que você precisa fazer uma transferência bancária todo mês. Ao invés de fazer um TED, que muitas vezes é pago (segundo dados do BC, o valor médio da tarifa é de cerca de R$ 10), opte por realizar um PIX, que na maior parte dos casos, é gratuito. Com isso, passados 12 meses, você teria R$ 120.

Economizar pouco assim pode parecer bobagem. Contudo, em tempos de pandemia, em que diversas famílias tiveram seus orçamentos impactados, fazer pequenos ajustes pode ser essencial para manter as contas no azul e evitar as dívidas.

Uma pesquisa que saiu em julho de 2020, feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com a Offer Wise, informou que cerca de 42% dos entrevistados disseram que a pandemia aumentou o seu nível de gastos.

Segundo Virginia Prestes, professora de finanças e investimentos da Faap, o melhor jeito de economizar é fazendo o planejamento. “Além disso, ao se planejar, você consegue sair da impulsividade”, diz.

E-Investidor conversou com especialistas em educação financeira para saber onde encontrar gastos invisíveis e como evitá-los.

Tarifas de Banco

“Banco é um cemitério de taxas escondidas”, diz Leandro Benincá, educador financeiro da Messem Investimentos. Na visão do especialista, o ponto central é que, se você paga por algo que utiliza, não há problema algum em arcar com as tarifas. Contudo, o problema está no fato de não utilizar aquilo que está pagando.

“Hoje em dia, existem bancos digitais, que te ajudam oferecendo tudo de graça. Dependendo do pacote no banco tradicional, se forem R$ 20 por mês em tarifas, são R$ 240 em um ano”, diz o educador.

Exemplo: vamos supor que você gaste R$19,90 por mês no pacote tarifário do seu bancão. No ano, são gastos R$ 238,80 que poderiam ser economizados.

Gastos com aplicativos de mobilidade

Escolhas do nosso dia a dia que, em um primeiro momento, podem parecer inofensivas, têm o potencial de implicar em um gasto maior no final do mês.

Por exemplo, já pensou que atravessar a rua para pedir um carro de aplicativo pode impactar no preço da corrida? A prática pode fazer bastante diferença em grandes cidades. “O ato de não atravessar pode fazer com que o motorista gaste um tempo extra que, dependendo do horário, pode ser grande, encarecendo o serviço”, diz Benincá.

Exemplo: vamos supor que você gaste no Uber R$4 a menos por corrida, que foi a economia em teste na Avenida Paulista realizada pelo educador.
Com duas viagens ao dia em cinco dias da semana você teria uma economia de R$160 todos os meses, o que resultaria em R$1.920 por ano.

Cuidado com saques e extratos desnecessários

Além dos pacotes, os bancos têm várias pequenas tarifas que não enxergamos com clareza no dia a dia. Entre eles estão um pedido extrato a mais ou a realização de um saque que você não precisava. “Essas pequenas escolhas, na verdade, não são taxas cobradas pelo banco, e sim uma decisão equivocada tomada por você”, diz Benincá. É preciso se policiar e utilizar dos meios digitais para evitar esse tipo de gasto invisível.

Exemplo: Alguns bancos cobram até R$ 18 por TED, 4 por mês somam R$ 72 reais = R$ 864 por ano

Economia que nem sempre é bom negócio

Segundo Benincá, muitas vezes você pode achar que está fazendo um bom negócio tomando determinada decisão, mas não coloca o orçamento na ponta do lápis antes. Por exemplo, rodar 40 km para abastecer o seu carro em um posto de combustível no qual a gasolina está mais barata não é a melhor decisão.

O combustível pode ter preço reduzido, mas você acabará arcando ainda mais com os custos de chegar até lá. “As economias só serão verdadeiras se você fizer a conta e realmente estiver gastando menos”, afirma Benincá.

Cuidados com programa de milhas

É muito comum concentrarmos nossos gastos no cartão de crédito para ganharmos milhas. Entretanto, também é comum que os pontos acabem expirando. Inclusive, segundo Prestes, grande parte das receitas da Smiles vêm dos pontos expirados.

“Hoje em dia, muitos cartões oferecem o cashback, o que permite maior liberdade para as pessoas poderem comprar a passagem aérea, realizarem abate da fatura do cartão, entre outras coisas”, explica a professora.

Exemplo: uma pessoa que gasta em média R$ 5 mil por mês no ano, gastou R$ 60 mil no cartão, o equivalente a cerca de 10 mil milhas. Com o cashback de 1%, são R$ 600 por ano que se passa a ganhar.

Não procurar cupons de desconto

Ao realizar compras on-line, sempre há um campo para adicionar os cupons de descontos na hora de fechar o carrinho. Basta uma simples pesquisa no Google para encontrar um deles, que pode gerar uma grande economia. “Muitas vezes as pessoas nem sabem que existem os cupons ou parcerias, que nem sempre são escancaradas, mas que se a pessoa for atrás, há até aplicativos que fazem esse trabalho, possibilitando uma bela economia para o usuário”, diz Prestes.

Exemplo: vamos supor que você gasta R$ 500 reais por mês em compras na internet. Considerando cupons de 10%, vistos mais comumente no universo digital, teria R$ 50 reais por mês de economia, ou seja, R$ 600 no ano.

Nâo pesquisar os melhores preços

Fazer pesquisa é a melhor maneira de garantir que você está realizando uma compra com preço justo. “Além disso, ao deixar de pesquisar antes da compra, você pode até estar perdendo oportunidades de desconto, pois pode haver parceria entre empresas”, diz a professora. Um bom exemplo é aquele cliente de determinada marca que tem desconto de até 10% em outro estabelecimento.

Isso também pode acontecer ao optar pela loja on-line ao invés da física. Na opinião de Prestes, isso acontece muito nas finanças: a pessoa que se planeja e geralmente consegue fazer melhores negócios, obtendo melhores descontos.

Gastos com delivery desnecessários

“Outro ponto que as pessoas não levam em consideração e que já foi muito levantado é que não percebem que gastam muito mais com delivery do que se fizessem seu prato em casa”, diz Prestes. Isso, é claro, caso a pessoa tenha tempo e condição para preparar sua comida. Se você não puder preparar a sua, lembre-se dos cupons de desconto e de programas de fidelidade.

Cuidado com as taxas de entrega

Seguindo na mesma linha dos aplicativos de comida, a taxa de entrega, muitas vezes, é esquecida pelos consumidores, apesar de ser bem significativa. “As próprias plataformas oferecem pacotes que barateiam o valor, além de existirem estabelecimentos que contam com a tarifa zerada. É preciso fazer a conta, porque às vezes a entrega pode estar incluída no valor da refeição, o que não adianta”, conclui Prestes.

Exemplo: O Ifood oferece um pacote de desconto em que vende R$ 10 em descontos nas suas compras por apenas R$ 3. Se você adquire esse pacote para uma média de 20 refeições que pede no mês, já são R$ 140 de desconto no mês, e no ano são R$ 1680 de economia.

Leia mais em: https://einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/pequenas-economias-dia-a-dia

Você pode investir nos EUA ou na China sem precisar ter conta no exterior

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Vinícius Pereira, colaboração para o CNN Brasil Business
11 de março de 2021 às 05:00

Essa diversificação é essencial para quem deseja ter uma carteira de investimentos mais completa, com mais segurança e menos volatilidade

Notas de dinheiro
Notas de dinheiro e moedas de vários países
Foto: John McArthur/Unsplash

Com a alta volatilidade no mercado acionário brasileiro, muita gente pensa em diversificar seus investimentos em produtos fora do País. Atualmente, o investidor brasileiro já pode investir em outros mercados mais tradicionais, como EUA e Europa, e mesmo em países emergentes com grande crescimento, como China e outros países asiáticos, de forma simples e sem precisar abrir uma conta no exterior. 

Segundo especialistas ouvidos pelo CNN Business, essa diversificação é essencial para quem deseja ter uma carteira de investimentos mais completa, com mais segurança e menos volatilidade.

“No geral, no longo prazo, é mais seguro quando você diversifica o mercado. Ao invés de concentrar tudo no Brasil, que tem muito risco e o mercado depende muito das commodities, que são mais voláteis, é sempre mais seguro ter uma carteira diversificada”, disse Rafael Gouveia, head de renda variável da Speed Invest.

Para Virginia Prestes, professora de finanças da Faap, além da possibilidade de reduzir o risco do Brasil, se expor menos ao real e mais em outras moedas também é uma estratégia que deve ser levada em conta na formação de uma carteira.

“Poder aproveitar a exposição em outra região para também ter uma exposição em uma moeda diferente. Sabemos que o real tem se desvalorizado nos últimos anos e, sempre que uma crise ocorre aqui, há uma corrida para o dólar. Então BDRs, ETFs e fundos são opções baratas e que podem defender um portfólio de investimentos”, afirmou.

Fundos, ETFs ou BDRs?

Atualmente, a B3, bolsa brasileira, oferece algumas formas de o investidor pessoa física colocar parte do seu dinheiro em empresas do exterior, como fundos, ETFs e BDRs.

Os fundos de investimentos em ações classificados como “internacionais” optam por ter grande parte da carteira dos papéis de empresas de fora do Brasil, principalmente dos EUA. Já os ETFs são fundos de índices, que seguem o desempenho de um determinado índice, como o S&P 500, dos EUA, ou o MSCI China, do país asiático. 

“A China deve crescer, ao contrário do mundo, que vem encolhendo, e a moeda da China é, de certa forma, atrelada ao dólar. Então, querendo ou não, é uma economia que cresce e é bem mais estável que a nossa”, afirmou Rafael Gouveia.
  
A forma mais recente de o investidor aplicar seus recursos em empresas do exterior são os BDRs (Brazilian Depositary Receipts, em inglês). Esses certificados representam ações que foram emitidas em outros países, como Amazon ou Facebook, por exemplo, e os investidores podem comprar como ações no Brasil.

Cuidados necessários

Apesar da facilidade, é necessário atenção redobrada antes de optar por comprar ações de outros países. Fatores desconhecidos pelos brasileiros, como leis e eventos desconhecidos, como feriados ou tensões políticas, podem impactar o valor dos papéis e reduzir o montante investido.

“Muitos desses produtos não têm a devida lâmina, que explica o produto, em português. Alguns deles não são fáceis de fácil interpretação, então é necessário fazer uma lição de casa antes de investir”, disse Virginia Prestes.

“Por não ser nosso país, há também fatores de risco, como legislação diferente e outras questões pertinentes a esses países que o investidor, talvez, não tenha conhecimento. O governo é diferente, legislação, região, podemos falar de desastres regionais… Então, tudo isso impacta investimentos e foge da realidade do investidor. Por isso, toda atenção é necessária”, completou.

Leia mais em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/03/11/voce-pode-investir-nos-eua-ou-na-china-sem-precisar-ter-conta-no-exterior

O Nubank aumentou o seu limite? Como controlar os gastos do cartão de crédito

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LUIZ FELIPE SIMÕES
luiz.correa.lipecah@estadao.com
02/03/2021, 16:58

Nesta segunda-feira (2), diversos clientes da banco informaram no Twitter que tiveram o limite aumentado

(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

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O Nubank aumentou o seu limite? Como controlar os gastos do cartão de crédito

Nesta segunda-feira (2), diversos clientes da banco informaram no Twitter que tiveram o limite aumentado

LUIZ FELIPE SIMÕESluiz.correa.lipecah@estadao.com02/03/2021, 16:58TwitterFacebookWhatsAppLinkedInE-mail

(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
  • Em levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 78% das famílias afirmam ter dívidas com o cartão de crédito.
  • Quando bem utilizado, o cartão de crédito é uma ferramenta poderosa que, além de detalhar exatamente onde cada centavo do seu dinheiro foi gasto, ainda fornece alguns benefícios extras, como milhas e cashback, por exemplo
  • O cartão de crédito pode ir de melhor amigo a vilão das finanças pessoais em um piscar de olhos. Nesta segunda-feira (2), diversos clientes do Nubankusaram o Twitter para postar prints que mostram notificações do banco aumentando seus limites. Inclusive, a tag #Nubank esteve entre os assuntos mais comentados da rede social, com 12,9 mil publicações.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a média de famílias endividadas no ano de 2020 no país cresceu 2,8 pontos percentuais na comparação com 2019, atingindo 66,5%. É o maior índice da série anual, iniciada em 2010. O estudo ouviu mais de 18 mil consumidores em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal.

No levantamento, 78% das famílias afirmam ter dívidas com o cartão de crédito. Em segundo lugar estão os débitos com carnês (16,8%) e, em terceiro, o financiamento do carro (10,7%).

Para Carol Stange, educadora em finanças pessoais, a maior armadilha do cartão de crédito é fugir do controle. “De parcelinha em parcelinha você acaba tendo um faturão. Muitos clientes só param de usar a ferramenta quando ela é recusada no estabelecimento, mas, na verdade, a pessoa deveria ter parado antes”, diz.

Pensando em ajudar você a controlar os gastos com o cartão de crédito, o E-Investidor entrevistou especialistas em educação financeira para saber como usá-lo com sabedoria. Mesmo se sua operadora aumentou o limite, o bom senso é fundamental.

Ferramenta ou vilão?

Quando bem utilizado, o cartão de crédito é uma ferramenta poderosa que, além de detalhar exatamente onde cada centavo do seu dinheiro foi gasto, ainda fornece alguns benefícios extras, como milhas e cashback, por exemplo.

Caso seja utilizado sem controle, pode se tornar uma enorme bola de neve. Isso porque o cartão de crédito tem um dos juros mais altos do País, o temido rotativo, que está em uma média de 329,3% ao ano, de acordo com o Banco Central (BC). Quem não paga o valor integral da sua fatura, ou seja, qualquer valor entre o mínimo e o integral, vai ter de pagar a taxa.

Para Virginia Prestes, professora de finanças e investimentos na Faap, parcelar a fatura ou usar o rotativo é um péssimo negócio. ”O juros do cartão de crédito é o maior que existe, mesmo comparando com outras linhas de crédito, que a pessoa possa ter. É um crédito de caráter emergencial”, diz.

Entre os pontos positivos, Prestes destaca que o cartão pode ajudar a organizar as finanças pessoais, justamente por você ter à disposição todos os seus gastos mensais planilhados. A maior parte das bandeiras separam os gastos por categoria na hora de consultar a fatura.

“A grande questão é organização financeira e disciplina. Se a pessoa souber lidar com o cartão da melhor maneira, pode aproveitar os benefícios de postergar pagamentos e parcelar sem juros quando não tiver o desconto à vista e se organizar por meio do cartão”, afirma Prestes.

Dicas para usar com sabedoria

O segredo para usar o cartão com sabedoria é controle, tanto financeiro como emocional, e acompanhar os gastos bem de perto. Seja diariamente, por semana ou a cada 15 dias. “Mas nunca apenas mensalmente, só quem tem extremo controle da ferramenta pode fazer desta forma”, explica Stange.

Outro ponto negativo para os clientes de cartão de crédito é existir a possibilidade de terem um limite maior do que seu próprio salário, o que acaba sendo um incentivo para gastarem além do que deveriam.

“Se a pessoa sabe que tem um viés de descontrole, é só ligar para o banco e diminuir esse limite. Ninguém é obrigado a ter um crédito acima das suas condições financeiras”, conclui Prestes.

Leia mais em: https://einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/nubank-limite-como-controlar-cartao

Bolsa de Valores: número de mulheres investindo mais que dobra, mas elas ainda são minoria

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AGÊNCIA O GLOBO
08 FEV 2021 – 10H37 ATUALIZADO EM 08 FEV 2021 – 10H37

Para especialistas, educação financeira é a chave para aumentar a presença feminina

Investimento, bolsa, investir  (Foto:  Trevor Williams via Getty Images)
(Foto: Trevor Williams via Getty Images)

O número de mulheres que investem em ações vem aumentando, mas elas ainda estão bem atrás dos homens. Segundo levantamento da B3, a Bolsa brasileira, em 2020 o número de investidoras pessoa física saltou 118%, passando de 847 mil. Mas elas ainda são 26% do total. Os homens somam 2,38 milhões.

Para Virginia Prestes, professora de Finanças da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), as mulheres historicamente sempre foram mais cautelosas quando se trata de investir em Bolsa, mas as novas gerações estão em outro patamar.

“Estudos mostram que a mulher tem, de fato, este perfil mais conservador que o homem, daí essa disparidade”, diz Virginia. “Principalmente antes, quando a taxa de juros estava muito alta, a grande maioria das mulheres não investia em renda variável porque não via necessidade de migrar para essa modalidade.”

Apesar da melhora tímida no perfil das investidoras, a especialista, que também trabalha com renda variável e já foi chefe da mesa de operações do Banco Safra, lembra que no passado o número de clientes mulheres era praticamente inexistente.

“E, quando elas tinham conta, era o marido quem mexia em nome da esposa. Hoje as mulheres estão bem mais ativas na busca da renda variável. Acredito que, com um perfil mais igualitário entre homens e mulheres no mercado de trabalho, com as gerações mais jovens aos poucos criando seu patrimônio, veremos essa porcentagem de investidoras aos poucos caminhando para os 50%.”

Mas agora que a taxa básica de juros (Selic) está na mínima histórica de 2%, há um boom do número de investidores pessoa física (“explodiu nos últimos três anos”, diz Virginia) e, com isso, a presença feminina na B3 também saltou.

Roberta Santoro, diretora comercial da Inove Investimentos, lembra que, apesar da porcentagem baixa, o número de investidoras é um recorde histórico no país, provocado pela crise de 2020, que fez os investidores saírem de sua zona de conforto em busca de risco, e pelos juros baixos.

“Esse é um tema cultural, pois o brasileiro majoritariamente tem seu dinheiro aplicado em poupança”, explica Roberta. “Mas o que aconteceu em 2020? Todo mundo precisou ficar em casa, e muitos dos provedores, os homens, perderam seus empregos. As mulheres tiveram que contribuir mais em casa buscando uma fonte de renda alternativa.</p>

Dinheiro é tabu, sexo não

E, com o home office e a digitalização das atividades, elas viram a possibilidade de ter uma atividade remota sem precisar sair de casa, acrescenta a executiva. Com uma poupança forçada por conta da quarentena e o surgimento de influencers, youtubers e afins levantando a bandeira da educação financeira, as mulheres se aprofundaram no tema e avançaram nos ativos de risco.

“Segundo estudo da XP, deve haver um movimento de mais de R$ 1 trilhão em direção à renda variável nos próximos anos, o que deve estimular ainda mais as mulheres”, diz Roberta.

Para estimular cada vez mais as mulheres a investir mais e dominar mais o assunto do mercado financeiro, diz a especialista, é preciso fortalecer cada vez mais nossa base de educação financeira e desmistificar a renda variável. A tendência é que elas busquem mais esse mercado, até porque percebem que é um investimento de longo prazo.

“E mulher tende a pensar bem antes de tomar uma decisão, a gente acompanha e estuda bem, o que nem sempre os homens fazem ao abordarem o risco”, afirma Roberta, acrescentando que ainda temos um longo caminho pela frente: apenas 3% dos brasileiros investem em renda variável, contra 50% nos EUA.

Segundo Francine Mendes, educadora financeira da Genial Investimentos, que é economista com mestrado em psicanálise do consumo, as novas gerações de mulheres já estão chegando ao mercado com mais sede de informação e deixando para trás décadas de dependência financeira em relação aos homens.

“Hoje as mulheres falam até de sexo, mas dinheiro continua sendo tabu”, diz Francine. “E essa dependência é uma questão social. A mulher brasileira só pôde abrir conta sua em banco a partir de 1962, e desde a infância a criação põe na cabeça da menina que ela é uma boa cuidadora, mais voltada para a área de Humanas, e os garotos são melhores com os números e as finanças, o provimento da casa”.

É por aí que a educação financeira feminina tem de começar, explica Francine, que lembra que as mulheres são responsáveis por 75% do consumo no mundo e o influenciam bastante, mas esse não é o caso quando se trata de investimento em produtos de renda variável, para seu próprio benefício.

“Até os 15 anos de idade, os investimentos de meninos e meninas em Bolsa são mais ou menos equilibrados, só que os aportes deles, desde cedo, são seis vezes maiores que os delas”, conta a especialista, cujos filhos (um menino e uma menina) já têm investimentos em ações.

Segundo Francine, agora as mulheres, com mais acesso à informação, já percebem que precisam tomar as rédeas de sua vida financeira, “até porque, de cada quatro mulheres, três serão pobres na velhice, segundo estatísticas que temos aqui”:

“Pelo menos 80% das mulheres vão precisar cuidar do seu dinheiro em algum momento de sua vida. E elas têm medo de investir errado, de se sentirem culpadas por alguma decisão… Há muitos fatores inconscientes que precisam ser abordados para desfazer essa construção social .”

Tempo, o maior ativo

Desde jovens, portanto, elas devem ser ensinadas a lidar com dinheiro e ter independência financeira, e não a contar com um provedor.

“Embora sejam mais conservadoras por natureza, as mulheres, quando decidem investir, estão mais embasadas e não retrocedem. Portanto, é preciso vencer o medo do desconhecido”, diz Francine.

“Isso muda a relação com o consumo e com o próprio tempo disponível, “nosso maior ativo”, afirma a especialista:”

“Por isso é preciso ter investimentos que trabalhem por você.

Um dado interessante na pesquisa da B3 é que as faixas etárias com mais investidoras são entre 26 e 35 anos (280 mil) e entre 36 e 45 anos (208 mil). Mas, em termos de valores, essas faixas respondem, respectivamente, por 17% e 18% do total investido por pessoas físicas, enquanto as faixas de 56 a 65 anos e acima de 66 anos (144 mil, somadas) respondem por 20% e 33%, respectivamente.

“A nova onda de juros baixos e educação financeira tem atraído as mais jovens, mas as mais velhas que estão em Bolsa provavelmente são aquelas que já tinham um perfil mais agressivo em renda variável mesmo”, diz Virginia, que vê a porcentagem de investidoras aos poucos caminhando para os 50%.

Leia mais em: https://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2021/02/bolsa-de-valores-numero-de-mulheres-investindo-mais-que-dobra-mas-elas-ainda-sao-minoria.html